Cadeira XIII -  Patrono de Ivo Hadlich

 

 

Pastor Hermann Faulhaber

 

O patrono desta cadeira na A.L.B. o pastor luterano Hermann Faulhaber, nasceu em 28 de abril de 1863 na província de Posen, Alemanha.
Conta-se que Faulhaber, doutorado em teologia, seguiu para Blumenau e só depois que embarcou no barco é que mandou pedir licença aos pais, pois acreditava que se o fizera antes os pais não o deixariam embarcar.

 

 


Chegou a Blumenau como pastor para colônia de Dr. Hermann Otto Bruno Blumenau em 1º de dezembro de 1889, estando aqui dedicando-se a assistência espiritual aos luteranos na grande maioria agricultores, participando ativamente da vida da comunidade em 1890 convocou uma assembléia para pedir autorização para a realização de uma sede Evangélica em Blumenau, para ter êxito nesta missão em 1891 viajou a colônia Dona Francisca.
Lutou muito por melhorias na igreja local, Faulhaber conseguiu a substituição dos velhos bancos incômodos, por novos. A parte superior da escadaria em frente à Igreja, foi igualmente iniciativa sua. Em 1893 tratou-se da medição da propriedade da comunidade, no vale do Ribeirão Fresco, de 2360 hectares, sendo digno de nota que o engenheiro Hercílio Luz, então chefe da agência de terras fez a medição gratuitamente, dispensando sua parte na medição. Na execução do seu programa de dar amparo às comunidades do Interior, providenciou a construção da Igreja da Itoupava Central. Estendeu a sua jurisdição até Luiz Alves, onde em um domingo do ano, realizava um culto idem para Massaranduba, tendo a comunidade de Blumenau financiado, ainda a compra de um terreno perto da foz do Ribeirão 13 de maio para a Escola, Igreja e cemitério e auxiliado na construção do respectivo prédio. Relacionava-se com pessoas influentes da época como Lauro Muller, Tenente Brasil Renaux, Major Gaelzer Neto e o Governador Pereira de Oliveira eram seus grandes amigos. O embaixador alemão, barão Von Treutler e o cônsul em Florianópolis, barão Von Weigenheim, visitaram-no várias vezes em Blumenau.
O pastor Faulhaber dedicou-se muito ao problema da instrução e do ensino religioso em Blumenau. Foi ele quem concretizou a fundação da Associação dos Professores e das comunidades escolares, e a ele devem-se também muitos melhoramentos no prédio da igreja. A construção da igreja de Itoupava Central também foi realização sua. Durante 17 anos ele dedicou todos os seus esforços a comunidade de Blumenau.
O pastor Hermann Faulhaber foi o fundador do “Der Urwaldsbote” e do “Der Christenbote”. Dirigiu durante longos anos a Escola Nova Alemã. Pastor de sua comunidade, zeloso e ativo, professor enérgico e eficiente, representa, para as escolas de orientação protestante, o que, para as católicas, um Frei Estanislau Schaette. Publicou vários escritos, dentre os quais citaremos o “Leitfaden Fur den unterricht in der Geschichte Von Brasilien” (Manual para o ensino da Historia do Brasil), compilado para as escolas alemãs no Brasil. O livro foi impresso por A. Guthe, em Bremem, e editado pelo autor, em Blumenau, em 1903.
Revela-se o pastor bom manejador da língua alemã. Seu método é claro, sua orientação, objetiva, e sua tendência geral, cumpre dizê-lo, patriótica.
“O ensino da História diz ele na introdução, tem por fim expor ordenadamente a evolução histórica dum povo, através da concatenação de seus acontecimentos mais importantes. Deve esclarecer o pensamento, explicar causas e efeitos, relatar experiências e fatos, apresentar bons exemplos a imitar, e mais a fugir. Assim deverá criar-se um sentimento de nobreza e patriotismo.”
Lembra em seguida o grande numero de escolas particulares alemãs existentes no Brasil, e como, por experiência, os cidadãos brasileiros de língua alemã acompanham com muito interesse a evolução histórica de sua nova pátria.
Escrevendo uma historia do Brasil, em alemão, é de supor que o autor se inspire no fato pragmático de que a nova geração a que se refere, não conheça, ainda, a língua vernácula, nem tão bem, nem melhor, quanto a que aprenderam dos lábios de sua mãe. Achegados ao colo por essas abençoadas mãos calosas e doidas, que tinham trabalhado na roça, de estrela a estrela, e preparado a refeição, a bruxuleante luz do lampião de querosene, refeição frugalíssima primeiro, e sempre mais farta, e sadia, para dar sadios cidadão à nova pátria. E não tivera, a pobrezinha, ainda, tempo de colher, no chão agreste que cultivara, a decantada flor “inculta e bela”, e passá-la a seus filhos.
E os sentimentos mais nobres, os conceitos mais profundos, os ideais mais puros, as aspirações mais delicadas tão mais clara e penetrantemente, se escutados à língua materna. Baseava-se, pois, nos próprios direitos da natureza a instrução, religiosa, moral e cívica, ministrada às crianças na língua que melhor compreendiam.
“Quem tem um coração para o seu povo, diz o autor, apresenta-lhes e a sua mocidade, entusiasmado e entusiasmando, os vultos aureolados dos seus heróis para imita-los, e os lados escuros da história para servir de sábia advertência.”
No dia 29 de Outubro o pastor Hermann Faulhaber casou-se com Alice Baumgarten, este casamento foi abençoado com três filhos: Roland, Ruth e Joana. Ruth e Joana permaneceram em Blumenau e Roland desapareceu na Alemanha na grande guerra, mas antes do desaparecimento foi prefeito de Berlin.
Faulhaber adquiriu a tipografia que servia para a publicação do “Imigrant”, o 1º veio a tona em 16 de julho de1893. Ditara a iniciativa de Faulhaber de fundar o jornal, o desejo de fazer uma folha que servisse aos interesses religiosos de Blumenau. Ele havia previsto o nome de “Friedensbote” (Mensageiro da Paz), mas não conseguiu tipos grandes para o cabeçalho, ficando então com o titulo antigo “Der Imigrant”.
Escreveu reportagens e artigos para jornais locais e da Alemanha, traduziu a obra de Afonso Celso “Porque me ufano do meu pais” (Warum bom ich Stolz auf mein Vaterland). Escreveu ainda “Die Hochwasserkatastrophe in Blumenau” e o “Ratgeber für Auswanderer”, folheto nº 4 da Associação geral Evangélica de Witzenhausen, no rio Wistula.
No dia 25 de Julho de 1906 comunicou aos dirigentes da comunidade sua remoção para Alemanha. Já na Europa, durante os anos que trabalhou em Trebbin, onde foi pastor, sempre honrou e estimou o Brasil, principalmente Blumenau, do qual ele jamais se esqueceu. Fez conferências com projeções luminosas para assegurar fundos de auxilio às vitimas das enchentes de 1911.
Era seguidamente convidado pela Sociedade Teuto Sulamericana de Berlin para as recepções aos brasileiros ilustres que visitavam a capital do Reich. Alguns deles chegaram a visitar a sua paróquia de Thebbin que ficava próxima a Berlin. Nessa ocasião ele hasteava, na fachada de sua casa paroquial a Bandeira Brasileira. O mesmo acontecia quando durante a guerra de 1914/1918, quando os exércitos alemães conseguiam alguma vitória, quando então, as duas bandeiras, a alemã e a nossa, planejavam diante da casa paroquial. Teve que suspender esse costume com a entrada do Brasil na guerra ao lado dos aliados. Assinava dois grandes jornais do Rio, que lia com grande interesse, sempre os recebia com viva satisfação, mesmo dois dias antes da sua morte, quando lhe trouxeram os jornais que acabavam de chegar do Rio não pode esconder satisfação, apesar da grande fraqueza em que se encontrava, sempre manifestara desejos de retornar ao Brasil.
O pastor Hermann Faulhaber faleceu em Trebin na Alemanha dia 19 de fevereiro de 1920 e sua esposa Alice faleceu em Berlin dia 11 de novembro de 1946. Blumenau homenageou este grande pastor denominando uma escola municipal com seu nome, Escola Básica Municipal pastor Faulhaber. Ele que além de pastor foi educador. A escola situa-se na Rua Pastor Oswaldo Hesse, 1090 e conta hoje (2007) com aproximadamente 200 alunos, 16 professores e 8 funcionários, divididos em 2 turnos. Sob a direção da professora Célia Cecília Krepsky.

 

 

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