Cadeira XX - Patronesse de Ilka Bosse
Alice Thiele
TEXTO SOBRE A PATRONESSE ALICE THIELE
A encantadora paisagem da região onde se situa a nossa elegante “Cidade Jardim”
se reveste de arte e símbolos culturais, tecendo e compondo a história
blumenauense, consolidando a cadeia de belezas naturais que lhe é peculiar,
permitindo que o nosso olhar viaja entre as montanhas, vales, rios, flores e
florestas, como se fosse um viajar mágico pelo paraíso que se reverencia aos
nossos pés. Resultado do semear e plantar raízes, ao que se propuseram os
fundadores vindos da Europa, movidos pela garra, coragem e determinação,
registrando sua chegada na Curva do Rio e dela fizeram o ponto de partida para
uma nova vida.
Assim se inicia o que nós denominamos “história” de tantas e muitas pessoas
(imigrantes) que garimparam vida, perscrutaram novos horizontes e através do
amor outras vidas somaram-se, proles multiplicaram-se e fazia-se necessário
doutrinar, educar para que o progresso fosse possível.
Alice Thiele, foi uma das pessoas agraciadas com o Berço denominado Blumenau.
Cidade que começara a “germinar”, esculpida entre montanhas, nascentes, fontes,
flores e relevos, ocultando a magia de uma bela história a ser contada no
futuro. História que encanta, igual a da menina Alice, que nasceu e cresceu
acompanhando o desenvolvimento desta maravilhosa “Cidade Jardim”. E Alice teve a
chance de “edificar” sua história no dia a dia, interligando pontes do passado,
presente e futuro, semeando atos, ações, sabedoria, educação, doação e se fez
ser Educadora, Professora, Mestra.
Os arquivos históricos de Blumenau não registraram
muitas informações sobre Alice Thiele, porém, o pouco que encontrei é altamente
significativo, notório, e merece ser colocado em evidência, merece destaque pela
proeminência, pela relevância para nossa sociedade. Talvez as grandes enchentes
que assolaram nossa cidade, arrastaram grande parte do que Alice havia
registrado, mas não conseguiu apagar as “pegadas” em chão firme por ela
trilhado.
Creio que há tantos anos passados, Alice projetou
sua visão para o futuro com intuito de fazer com que a cultura, de um modo
geral, não adormecesse lentamente, que jamais viesse a cochilar e se perder
neste berço esplêndido.
Ela deixou seu legado e hoje é carinhosamente lembrada, com gratidão pelo muito
e tudo que fez por Blumenau e porque não dizer: Belo bem da Nação!
Alice nasceu em 1º de janeiro de 1881, nesta
cidade, Blumenau - SC, onde viveu até o final de seus dias.
Blumenau sempre soube abrir as asas acolhedoras e conseqüentemente foi agraciada
com a vinda de pessoas ilustres, sábias, resignadas nas atitudes e guerreiras
nas ações, marcando presença, traçando caminhos, contribuindo na “arte de
pintar” este belo “cartão de visita”, simplesmente: Blumenau.
Alice contribuiu com maestria e firme propósito de
enriquecer a literatura, zelando para que a cultura não caísse no cochilo. Sem
medir esforços, doou parte de sua vida prol arte de ensinar e a fez ser lembrada
através dos tempos, tornando-se uma “NOBRE IMORTAL”.
A menina Alice era filha de Hugo Riedel e Ana
Riedel. Quis o destino que ela fosse a neta do primeiro Pastor Evangélico de
Blumenau, Rev. Pastor Oswaldo Hesse (fato digno de nota), que aqui chegou em
1858, onde se radicou, professando a fé por longos anos, vindo a falecer aqui
mesmo, em Blumenau. Também ele está sendo lembrado até os dias atuais, pois
Blumenau tem em sua malha viária uma Rua com o nome dele: Rua Pastor Oswaldo
Hesse.
Alice é lembrada pelos atos heróicos, bravura,
dedicação, pelo contínuo escalar degraus, rumo à arte de ensinar, doando
fragmentos de sabedoria.
Passou a chamar-se, Alice Thiele ao casar-se com
Alfredo Thiele, porém, quis o destino que viesse mais tarde a enviuvar, quando
decidiu prestar exame para ser professora de Escolas Isoladas, exercendo o
magistério durante muitos anos (aproximadamente, vinte anos) na “Escola Nossa”,
que mais tarde passou a ser “Escola Alemã” e esta mesma escola ainda existe nos
dias atuais, denominada Colégio Normal Pedro II, referência para a sociedade
blumenauense. Professora Alice lecionou por muitos anos a língua portuguesa e
alemã, neste mesmo estabelecimento, nos 1º e 2º anos preliminares. Professora
Alice Thiele, era uma Dama de muitas virtudes, com extrema dedicação ao que
fazia, doando fragmentos de sua vida à difícil trajetória do magistério, missão
esta, da qual não se deixava desviar.
A arte de ensinar fazia parte de sua vida, até que,
por volta de 1935 ou 1936 (aproximadamente - na década de 1930) foi acometida
por uma doença (não relatada), motivo pelo qual, foi aposentada.
Quando veio a falecer, no dia 12 de abril de 1952, em Blumenau, deixou uma
profunda lacuna na sociedade blumenauense, sua ausência foi marcante para os que
a conheceram, porém, inesquecível e Imortal.
Blumenau lembra o nome da Professora Alice Thiele de muitas formas, mas uma
delas é em especial gratificante, pois há uma Escola denominada: Escola Básica
Municipal ALICE THIELE e que abriga mais de seiscentos alunos, atualmente. Doce
lembrança, grata “herança”.
Alice nasceu para ser Imortal, cumpriu sua missão
de cidadã, motivo pelo qual o destino traçou trilhas que levaram seu nome até à
Academia de Letras Blumenauense - ALB, onde em 29 de setembro de 2005, eu, Ilka
Bosse, tive a grande Honra de ser agraciada para ocupar a Cadeira nº XX, à qual
foi auferido o nome de Alice Thile, que perdurará através dos tempos e quem
sabe, com vários e infinitamente muitos sucessores(as). Honrarei a oportunidade
cedida pela Academia de Letras Blumenauense e será eterna minha gratidão à
Professora Alice Thiele que manteve a “Tocha da Saberia” acessa,
comprometendo-me levar avante a caminhada por ela iniciada. Igualmente serei
sempre grata ao Acadêmico, escritor, poeta, dramaturgo, Ivo Hadlich, meu
Padrinho e mentor desta minha “festa interna”. Tudo farei, para ser merecedora
vitalícia, seguirei com dignidade, mesmo que em passos lentos, fazendo jus a tão
nobre missão ao tomar assento ocupando o mesmo lugar (cadeira), Alice e eu, do
qual tanto orgulho sinto.
PENSAMENTO:
- Cada um de nós é Deus, na proporção de um grão de areia, que poderá crescer e
se tornar um “DESERTO GIGANTESCO”, porém, também poderá crescer e transformar
numa linda “DUNA ALVA”, simbolizando a PAZ. (Ilka Bosse)