Cadeira XXIV-  Patrono de Maria de Lourdes Scotinni Heiden

 

Martinho Bruning

 

Biografia do Patrono Martinho Bruning

“ Todos são necessários para formar o todo. Onde estamos é apenas o começo desde o princípio. Não importa o que foi dito antes. Importa o que será dito depois. Importa o que foi dito antes... agora.” Palavras sábias de Martinho que além de poeta foi um homem de meditação. Um homem transcendental.
Nosso querido e imortal poeta nasceu no ano de 1921 em Tubarão/SC Formou-se em Filosofia Pura pela PUC, de Porto Alegre, mas residiu muitos anos em Blumenau, onde sempre sentiu-se em casa. A dedicação à poesia só aconteceu na década de 70, após a aposentadoria no serviço público federal. Martinho Bruning se especializou em hai-kais este misterioso poema de origem oriental. Publicou diversos livros, buscando sempre a harmonia, a simplicidade, a poesia delicada dos hai kais. Dizia: "um hai-kai deve ter no máximo 17 sílabas para fundar-se como obra de arte literária concisa; mais que isso perde a essência oriental..."
Duas, três palavras,
melhor, nenhuma palavra:
os pássaros cantam.
Negócios demais.
Fito as montanhas e o céu
- irrepreensíveis.
Ele era de uma profundidade infinita.
Ouçam o que ele escreveu sobre a lapidação:
Corrigir os outros? E quem lapidaria você?
Martinho soube como ninguém dizer as coisas certas da maneira certa. E com aquela sabedoria que enriquece a alma humana nos pediu para escutar a natureza:
“Escuta! Nas pedras a música do rio.” E acrescenta: “Ninguém ouve duas vezes a mesma música do rio. Só dura o que passa o rio dessa música.”
E, nós, muitas vezes não escutamos a música do rio afogados que estamos no burburinho do tempo.
Martinho Bruning, não. Ele sabia que o tempo era indomável, brincava com ele. Fazia versos. “E.. Um belo dia, dizem tudo acaba. Como sabem que será um belo dia.”
Infelizmente, este belo dia para o poeta chegou. Martinho Brüning partiu no dia 5 de janeiro de 1998 . Deixou esposa, cinco filhos, genros, noras e 11 netos, órfãos de seus poemas, hai-cais e doutrinas de filosofia oriental, Martinho sempre reservava espaço para os familiares, há muitas palavras de amor para a esposa Julieta em seus livros . Na solenidade de lançamento, o poeta amoroso, sempre entregava um exemplar com uma dedicatória carinhosa à esposa amada. O poeta, consciente da dificuldade de se conseguir apoio para publicar livros, editou e pagou a impressão de cada uma de suas obras. Obras que elevam, enternecem e encantam. Obras que posteriormente foram doadas pela família às bibliotecas das principais Universidades de Santa Catarina e escolas de Blumenau.
O poeta sabia transformar uma observação num poema completo.
Dizia que “Um poema deve ser claro e obscuro como o canto de um grilo.”
Coisa mais singela o cantar de um grilo! Traz apelos do eterno. Martinho soube ouvi-los assim como ouviu o rio.
Se Heitor Villa Lobos na opinião de Martinho fez a música maior que todos os ruídos, Martinho fez a poesia maior que todos os poemas. Mas ele próprio não se julgava escritor. “ Não sou escritor. Sou poeta. Agora já não sei se sou poeta. Escreveu também que “o poeta não julga ninguém. A poesia nos julga a todos.” E registrou:
“Aprendendo a aprender venho e vou de mãos vazias.” Coisa mais bela, mais profunda!! Ir e vir de mãos vazias. Pronto para aprender. Despojado do que julgava ser e saber. E aconselha:
“É preciso escrever na areia
Para que o vento espalhe o canto.
Eu quero como Martinho mais do que “escrever ou ler, quero inscrever no coração algumas palavras essenciais”.
O que é essencial?
Talvez já não saibamos perceber as coisas essenciais. Precisamos como Martinho esvaziar-nos de nossos saberes para aprender e fazer da oração do poeta a nossa oração:
“Tem, Senhor, paciência comigo,
Que eu mesmo tenha paciência comigo,
Que os outros tenham paciência comigo,
E que eu tenha paciência com todos.
Quando for pesado o mundo
E eu leve
- paciência;
Quando for o mundo leve
E eu pesado.
- paciência;
Quando ambos, eu e o mundo,
formos pesados
- paciência,
Paciência.”


 

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