Cadeira III - Patronesse de Suzana Sedrez
Marita afirma, a partir de Jung e Lacan, que a simbologia do espelho evoca a
instauração da identidade. Capta, na narrativa das mulheres-autoras que analisa,
a imagem do espelho como revelação de verdades existenciais. Pondera que na
simbologia do espelho estariam não só a representação de sentimentos
ambivalentes, como também um convite para penetrar além de nós mesmos. Segundo
Marita, esse movimento resulta na auto-análise e opera a “tomada de consciência
da [...] totalidade ou a fuga da fragmentação” (SASSE, 1993, p. 186). Conclui na
sua tese que “todo discurso é espelho de seu próprio autor” (SASSE, 1993, p.
182).
Marita Deeke Sasse inicia sua prática de Magistério em 1967, na cidade de
Blumenau. Lecionou até 1982 na Escola Barão do Rio Branco, no Conjunto
Educacional Pedro II e no Colégio Franciscano Santo Antônio atuando na área de
Língua e Literatura Portuguesa. Por quinze anos, a partir de 1983, regeu a
cátedra de português e Literatura Portuguesa e Teoria Literária na FURB.
Interessou-se por temas como mitologia, simbologia, ritos, folclore,
regionalismo, cultura, psicanálise entre outros. Em seus escritos, estabeleceu
relações entre filosofia, antropologia e literatura inspirada por um eixo
poético. Possui diversos contos e ensaios publicados em jornais e revistas
literárias, além de livros infantis. Alguns de seus títulos:
• Blumenau, sua História. Florianópolis: Lunardeli, 1980
• Uma família feliz. Florianópolis: LADESC, 1986.
• Oktoberfest – A festa da cerveja. Rio de Janeiro: Ultraset, 1991.
• A Poética do Mito (Org.) Blumenau: Letra Viva, 1995.
• Entre o Leão e o Unicórnio. Blumenau: Hec Publicações, 1998 (?).
Marita Deeke Sasse obteve os seguintes Prêmios literários:
• Prêmio Álvaro Moreyra – 4º. lugar, Concurso Nacional de Contos – 1965
• Concurso Estadual de Biografias do Departamento de Cultura da Secretaria do
Governo – 2º. Lugar, 1971
• Concurso Estadual de Conto – Prêmio Virgílio Várzea – Menção Honrosa, 1978
• II Concurso de Histórias – LADESC – Governo do Estado de Santa Catarina - 1985
Destacando as contribuições da minha patronesse, proponho que este momento da
Academia possa espelhar uma vontade coletiva em fazermos parte de um grupo que
pensa sobre as idéias e os valores de sua época, e que por isto pode contribuir
com a socialização dos bens culturais da nossa região, objetivando a
consolidação de ações voltadas à cidadania.
REFERÊNCIAS
JAMUNDÁ, Theobaldo (Org.). Contos e poemas. Florianópolis: Fundação Catarinense
de Cultura, 1980.
SASSE, Marita Deeke. Oktoberfest – A festa da cerveja. Rio de Janeiro: Ultraset,
1991.
______. Mulheres no espelho - aspectos da narrativa de autoria feminina. Rio de
Janeiro: 1993. Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) – Faculdade de Letras,
UFRJ.